A transformação digital está morta! Viva a transformação (digital)

A transformação digital não é um fim em sim mesmo, mas uma forma de suportar a transformação do negócio

– Pai, eu quero ser youtuber!, afirma o filho, de 12 anos.
– Então, Diogo, não queres antes jogar como o Cristiano?
– Não, pai! Eu quero uma profissão digital!
Um influencer não está preocupado com a tecnologia digital do YouTube nem conhece os métodos analíticos e os algoritmos de inteligência artificial que promovem as suas publicações. A sua principal preocupação são os seus conteúdos e a sua audiência. De forma semelhante, um colaborador de uma empresa não deverá estar preocupado com a tecnologia digital que o suporta, mas sim com o seu negócio.

A transformação digital não é um fim em si mesmo, mas uma forma de suportar a transformação do negócio que deve ter por base as necessidades e respetivas jornadas de cliente. Quando está orientada para o negócio, deverá sempre ser iniciada com um fim em vista: melhorar a experiência de cliente, tornar um processo mais eficaz e/ou eficiente, melhorar a qualidade, etc.

Transformar com as pessoas

São as pessoas que transformam as empresas. Num programa de gestão da mudança, o envolvimento, desde uma fase inicial, de pessoas de diferentes áreas (marketing, vendas, serviço ao cliente, sistemas de informação, etc.) e de diferentes formações (gestão, engenharia, direito, etc.) é um fator crítico de sucesso para a definição e utilização efetiva, pelos mesmos, da nova aplicação ou processo. A opinião dos diferentes stakeholders é tida em conta numa fase inicial e a solução é construída com e para eles. É também nesta fase que são “negociados” compromissos, como, por exemplo, o lançamento de uma primeira versão com um subconjunto das funcionalidades acordado e a evolução a partir daí.

A adoção das soluções pelos utilizadores é outro fator crítico do sucesso. Para a maximizar realizam-se normalmente várias sessões (agora virtuais) no início do projeto, durante uma semana, onde são criadas com os stakeholders as jornadas de cliente e as funcionalidades disponíveis para os perfis que vão utilizar a solução. Esta flexibilidade permite às pessoas dormir sobre o assunto e, não raras vezes, mudarem de ideias no dia seguinte.

Esta nova forma de entregar projetos começa com uma simples ideia (o típico “era giro…”), que se materializa, no final da primeira semana, num documento de requisitos e numa estimativa do esforço associado. Durante o desenvolvimento podem-se sempre ir fazendo correções/afinamentos, desde que avaliado o impacto das mesmas face às estimativas de esforço e plano apresentadas.

Esta abordagem tem tido grande aceitação entre os nossos clientes, em particular nos projetos desenvolvidos para o mercado norte-americano.

Transformar com ajuda de plataformas

No atual contexto, onde a única certeza é a necessidade de estar preparado para a mudança, é fundamental o recurso a plataformas para se poder ser mais ágil. O desenvolvimento de software não é exceção e a plataforma OutSystems foi utilizada para acelerar o desenvolvimento de vários projetos nossos, alguns dos quais premiados internacionalmente pela própria OutSystems.

No diálogo inicial, a resposta do Diogo é fictícia, com o propósito de suportar a narrativa. A resposta real foi: “O Wuant ganha mais que o Cristiano, quando ele tinha 12 anos.” Seria necessário todo um novo artigo para conhecer as plataformas envolvidas na transferência do dinheiro para o youtuber português e a própria transformação de que o setor financeiro está a ser alvo.

Por Carlos Costa Cruz, (digital) Transformation Lead, askblue

 
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