Banco Ctt

Banco CTT está preparado para enfrentar as fintech

Começar sem sistemas legados é vantagem clara, mas não sem os desafios de se criar uma estrutura nova sem re-aproveitamentos, explica Pedro Nicolau, CEO da AskBlue.

A AskBlue foi uma das consultoras envolvidas na implantação dos sistemas de informação do Banco CTT. Numa parceria “tecnológica e operacional” colocou uma equipa multidisciplinar de consultores com competências em tecnologias e processos, ao serviço de um projecto para criar um “banco de digital de raiz”.

Embora num projecto livre de sistemas antigos e desadequados, subjacente a quase todos os desafios estavam os requisitos de salvaguardar a simplicidade de soluções, como as de processos de abertura de conta e registo de cliente.

Tinham de ser próximas dos clientes, fáceis de entender e de usar, além da obrigatória eficiência focada nos custos. Mas além disso, a operacionalização dos processos de backoffice é factor crítico, explica em entrevista Pedro Nicolau, CEO da consultora.

Computerworld ‒ Quais foram os principais desafios que tiveram de resolver no projecto de implantação de um sistema de informação novo num banco?

Pedro Nicolau ‒ Um projecto de desenvolvimento do sistema de informação core de um novo banco tem desafios muito significativos porque se começa do zero. Tudo tem de ser decidido, desenhado e implementado. Não existe reaproveitamento de aplicações. Estes projectos têm sempre uma componente de negócio muito importante.

Antes de começar a configurar / desenvolver um sistema novo, é necessário ter bem presente e definida a oferta de produtos e serviços, os processos de backoffice/agência, as funcionalidades do sistema, requisitos regulatórios e fluxo de informação com outras entidades, nomeadamente a SIBS. Para conseguir incorporar todas estas especificações no novo sistema de informação, é necessário ter uma equipa de trabalho multidisciplinar com competências aprofundadas, seja no negócio bancário, seja ao nível técnico das aplicações de software.

CW ‒ O facto de não haver sistemas legados já é uma vantagem, mas como é que os sistemas do banco foram preparados para enfrentar a concorrência das fintechs?

PN ‒ A não existência de sistemas legados permite que se possa conceber um novo sistema sem restrições à partida. Obviamente, que é necessário fazer sempre opções de gestão e avaliar nos pratos da balança o respectivo custo versus benefício, mas o facto de não existir histórico permite que se possa construir um novo sistema a pensar no futuro e não agarrado e dependente de opções passadas.

Hoje em dia, estão disponíveis novas tecnologias a custos mais baixos, com outras capacidades e mais flexíveis. O desafio das fintechs passa muito pela digitalização e desmaterialização de muitos processos. Ao nascer como um banco digital de raiz, o Banco CTT está preparado para responder a estes desafios.

CW ‒ Do vosso ponto de vista quais são as principais vantagens dos sistemas de informação do banco, em termos genéricos? Que tecnologias sustentam essas vantagens?

PN ‒ Não comentamos as opções de sistemas de informação do Banco CTT.

CW ‒ Como é que a operacionalização de processos de backoffice poderá gerar vantagens competitivas num banco actualmente?

PN ‒ A operacionalização dos processos de backoffice de uma forma optimizada e minimizando o risco operacional é um factor crítico de sucesso para os bancos. É através de uma operacionalização adequada dos processos que se conseguem, por um lado, atingir níveis de serviço ao cliente excelentes e, por outro lado, reduzir custos operacionais, permitindo aos bancos posicionarem-se no mercado de forma competitiva.

Mais uma vez, é importante que, na fase de desenho e implementação dos processos, sejam envolvidos especialistas técnicos com conhecimento técnico e de negócio bancário de modo a tomar as decisões correctas.

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